Trabalhos Acadêmicos

“UMA CERTA MANEIRA DE DESEJAR A LIBERDADE”: Caminhos da literatura de Carlos Heitor Cony no pós-1964

Tese de doutorado apresentada pela Dra. Marina Silva Ruivo à banca examinadora da Universidade de São Paulo como exigência parcial para a obtenção do título de Doutora em Letras, área de concentração Literatura Brasileira. Orientador: Prof. Dr. Flávio Wolf de Aguiar. São Paulo, 2012.

ESTA TESE OBJETIVA PERSEGUIR os caminhos tomados pela ficção de Carlos Heitor Cony depois do golpe civil-militar de 1964, acontecimento que afetou a todo o País e que atravessou em definitivo a vida e a obra do escritor e jornalista. Para tal, centra-se na análise de dois de seus mais relevantes romances, Pessach: a travessia (1967), e Pilatos (1974), debruçando-se nos diálogos que ambos travam com mitos bíblicos, no modo como se relacionaram com os momentos socioculturais vividos pelo Brasil pós-golpe e, ainda, refletindo sobre os lugares que ocupam no seio da trajetória ficcional de Cony. Nessa direção, se a aproximação deliberada do universo político constituiu sem dúvida uma inovação de Pessach, mais significativo parece ser o elemento de que este romance colocou em xeque muitos dos ingredientes anteriores desta produção literária. Ao fazê-lo, acabou por questionar a própria possibilidade de continuidade da literatura – do personagem escritor, Paulo Simões; do autor da obra, Cony; e da própria literatura brasileira naquele momento. Depois dele, surgiu Pilatos, inovando no insólito e grotesco de sua linguagem, mas nem por isso deixando de se fundar em muitos pontos de seus predecessores conyanos. E se por um lado pareceu voltar o leme novamente para o rumo da literatura, por outro inaugurou um longo e enigmático silêncio do escritor, a respeito do qual este trabalho procura lançar também mais algumas luzes.

As Crônicas de Carlos Heitor Cony e a Manutenção de um Diálogo com o Leitor

Maria Lúcia da Cunha Victório de Oliveira Andrade é doutora em Lingüística pela Universidade de São Paulo. Professora assistente doutora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, na área de Filologia e Língua Portuguesa.

in: PRETI, Dino (org.) Diálogos na fala e na escrita. São Paulo: Associação Editorial Humanitas, 2005, vol.7, p. 299-324.

Partindo da crônica “Do direito de não informar” de autoria do jornalista e escritor Carlos Heitor Cony, publicada na Folha de S. Paulo, em 23 de novembro de 2003, pretende-se refletir sobre o papel social que esse gênero discursivo exerce no jornal diário e como o locutor interage com seu leitor. Com o intuito de estabelecer um contraponto com essa crônica, faremos uso de outras cinco crônicas do referido jornalista, publicadas – entre os dias 10 e 17 de maio de 2004 – no mesmo jornal.

Como se sabe, a crônica é um gênero que apresenta dupla filiação, já que o tempo e o espaço curtos permitem o tratamento literário a temas jornalísticos. Assim, ela tem do jornal a concisão e a pressa e da literatura, a magia e a poeticidade que recriam o cotidiano.

Observaremos também a dialogicidade estabelecida na crônica, buscando analisar as condições de produção e as estratégias empregadas pelo enunciador para recriar o cotidiano. É por meio da dialogicidade que se cria um processo de geração de sentidos, constituindo um fluxo de produção textual organizado.

Leia o texto na íntegra em:


A ironia no romance Quase Memória, de Carlos Heitor Cony

Autor: Camilo Tellaroli Adorno
Dissertação de Mestrado em Letras
Universidade Estadual Paulista - Faculdade de Ciências e Letras
Ano de obtenção: 2006

Analisa o romance Quase Memória de Carlos Heitor Cony, com base em alguns tipos de ironia considereados relevantes para a compreensão da narrativa, bem como o modo como ela é utilizada pelo autor e qual a função desempenhada ao longo do texto, especialmente na relação entre as personagens principais da narrativa. Para tanto, faz-se primeiramente, um levantamento acerca da ironia, levando-se em c onta os tipos mais relevantes para a compreensão a narrativa: ironia socrática, ironia romantica, ironia como figura de retórica capaz de tornar ambíguo um determinado discurso, ironia e humor (especialmente sua capacidade de desmistificar uma situação ou pessoa), e o modo bastante acentuado da ironia nas relaçoes entre os homens - caracteristica bastante marcante no romance Quase memória. Essas características da ironia são utilizadas na anãlise dos elementos principais do romance - foco narrativo, personagem, tempo, memória e a idéia de duplo presente no texto.

Visualização e Download do trabalho em:


Um homem como nós, mas também diferente: imagens do século XX nas crônicas de Carlos Heitor Cony

Autor: Radamés Vieira Nunes
Monografia de graduação em História
Universidade Federal de Goiás UFG/CAC
Ano de obtenção: 2005

Este trabalho dedica-se a refletir sobre o estudo interdisciplinar entre história, literatura e jornalismo. Nesse sentido, a fim de construir conhecimento histórico sobre o século XX, perscrutamos os preceitos estéticos, políticos e ideológicos de Carlos Heitor Cony, um narrador dos fatos cotidianos. A partir da análise das crônicas de Cony, presentes nos livros O harém das bananeiras e Os anos mais antigos do passado, foi possível reconstruir a fisionomia da cultura e contexto social em que se moldou Carlos Heitor Cony. Um homem como nós, mas também diferente.


A intertextualidade bíblica em Carlos Heitor Cony

Autora: Marcela Martins de Melo
Monografia de Graduação em Letras.
Universidade Estácio de Sá - UNESA
Ano de Obtenção: 2005

Este trabalho trata da intertextualidade presente na obra A casa do poeta trágico de Carlos Heitor Cony, especialmente as referências bíblicas que permeiam o romance, o sentido que elas tomam ao serem inseridas no texto e sua importância para o desenvolvimento da obra.


Romance-reportagem: Uma Leitura Intertextual de O BEIJO DA MORTE

Autora: Rafaela Aguiar Dantas
Universidade Salgado de Oliveira - Recife
Monografia: graduação em Comunicação Social - jornalismo
Ano de obtenção: 2005

O objetivo deste trabalho é analisar a relação existente entre a literatura e o jornalismo, com o intuito de confirmar que pode ser feita uma leitura de um gênero com discursos distintos, romance-reportagem, sem que haja confrontos e dúvidas na sua recepção. Durante a elaboração deste trabalho, foi utilizado o estudo qualitativo no livro O Beijo da Morte, no qual foram feitas análises de conteúdo em trechos, estabelecidos a partir de uma escolha da autora deste trabalho, e na sua linguagem, para que sejam confrontados com as variáveis existentes nos discursos que o regem (literatura e jornalismo). Para a análise de conteúdo, foi feita uma pesquisa em veículos de comunicação e comparados com os trechos estabelecidos. Já para a análise da linguagem, foram utilizados teóricos literários como Vitor Manuel de Aguiar e Silva, Manuel Antônio de Castro e Laurent Jenny, e jornalísticos como Mário Erbolato, Felipe Pena e Clóvis Rossi. Neste caso, conclui-se que para estabelecer a leitura de um romance-reportagem é necessário abordá-lo de forma unitária a partir da técnica intertextual, que estabelece a união de gêneros e discursos distintos.


Estilhaços do passado: o incansável resgate de Carlos Heitor Cony

Autor: André Mota Furtado
Mestrando em literatura brasileira pela Universidade Federal do Ceará
Monografia de Pós Graduação em Literatura Brasileira.
Universidade Federal do Ceará - UFC
Ano de Obtenção: 2004

O trabalho analisa cinco crônicas do escritor Carlos Heitor Cony, retiradas do livro O Harém das Bananeiras, sob o ponto de vista da infância e da autobiografia, pois são textos que resgatam o passado do próprio autor, filiando-se, portanto, à ficção autobiográfica. Explica, também, o conceito do gênero crônica, referindo-se a cronistas brasileiros a partir do Romantismo e situando o autor no corpus da literatura brasileira.


Argumento de autoridade na crônica de Carlos Heitor Cony: um enfoque intertextual

Autora: Elaine Vincenzi Silveira
Dissertação de mestrado.
Universidade de São Paulo, USP.
Ano de Obtenção: 2004

O objetivo da presente dissertação é estudar o discurso persuasivo na crônica jornalística de Carlos Heitor Cony. O estudo em questão parte da premissa de que toda persuasão é imprescindível a uma argumentação adequada. Para esse assunto, recorremos a Aristóteles e Perelman, filósofos responsáveis por conceitos que fundamentam a teoria da Retórica e da Argumentação.

Saiba mais do trabalho da Elaine Silveira em:


As crônicas fim de século de Carlos Heitor Cony

Autora: Ivone Gomes de Assis - ivone@triang.com.br
Monografia de Iniciação Científica. Desenvolvida no Curso de Letras no Centro Universitário do Triângulo, Uberlândia, Minas Gerais, sob a orientação da Profa. Dra. Kênia Maria de Almeida Pereira.
Ano de Obtenção: 2004

O trabalho apresenta a vida e a obra do cronista Carlos Heitor Cony e faz uma análise das crônicas deste escritor publicadas na Folha de S. Paulo, em dezembro de 1999, por ser considerado o último mês, do último ano do século passado. As passagens de séculos e milênios sempre causaram grandes expectativas, transtornos sociais e emocionais, acirrando os ânimos dos indivíduos e das populações de um modo geral. As passagens de milênio, principalmente, vêm revestidas de mitos, medos, ansiedades, esperanças e também muita curiosidade. Quais seriam, portanto, perguntamos, os assuntos tratados por Cony em suas crônicas que antecipavam o terceiro milênio? Quais seriam as preocupações e interesses desse cronista no final do milênio passado?


Os invólucros da memória na ficção de Carlos Heitor Cony

Autora: Raquel Illescas Bueno
Tese Doutorado em Literatura Brasileira.
Universidade de São Paulo, USP.
Ano de Obtenção: 2002

Este trabalho enfoca a obra de Carlos Heitor Cony atendo-se à percepção da passagem do tempo pelas personagens de ficção. No primeiro capítulo, são apontados temas recorrentes ao longo da trajetória intelectual do autor. O ceticismo e o relativismo, conjugados, resultam em uma visão de mundo permeada pela negatividade. Faz-se uma apresentação breve dos diversos romances, desde o livro de estréia, O ventre (1958), até O indigitado (2001). As referências à produção não-ficcional prestam-se a situar o conjunto da obra no tempo histórico, identificando linhas de força do pensamento e da cultura do século XX. A revisão bibliográfica perpassa a ainda pequena fortuna crítica da obra de Cony. No segundo capítulo, a ênfase vai para a análise da temporalidade, principalmente no romance Matéria de memória (1962). A relação entre matéria e memória é analisada, com destaque para os leitmotive "fantasma" e "embrulho". Tomam-se como base para a análise quatro categorias estabelecidas por santo Agostinho ao estudar a temporalidade: dissolução, agonia, banimento e noite. O terceiro capítulo aborda a correspondência entre temporalidade e espaço ficcional, destacando os motivos "casa" e "cão". Neste capítulo, são analisados dois romances que tematizam a dissolução das relações amorosas: Antes, o verão (1964) e A casa do poeta trágico (1997)

Saiba mais deste trabalho da Raquel Illescas Bueno em:


História, memória e ficção em obras de Carlos Heitor Cony

Autor: Juarez Poletto
Dissertação de mestrado.
Universidade Federal do Paraná, UFPR.
Ano de Obtenção: 2001


Carlos Heitor Cony: vida e obra em site

Autoras: Patricia Spínola e Evandreia Buosi
Projeto Experimental de Graduação em Comunicação Social - Jornalismo.
Universidade Anhembi Morumbi - SP
Ano de Obtenção: 2001

O trabalho apresenta a vida e a obra do escritor e jornalista Carlos Heitor Cony e propõe um novo modelo de divulgação: um site.
Cony não tinha um site oficial no qual estivesse reunida toda a sua obra e biografia.
O projeto do site foi aprovado e acompanhado por Cony.

Do projeto nasceu este site: www.carlosheitorcony.com.br


O Homem Social na travessia de Cony

Autor: Marilurdes Cruz Borges
Monografia de graduação em Letras
Universidade de Franca
Ano de obtenção: 2001

Objetiva a análise do homem social na travessia de Cony. Através do engajamento político do romance Pessach: a travessia, de Carlos Heitor Cony e de seu personagem-narrador Paulo Simon, procurando analisar a função do homem como ser social. Para desenvolver a pesquisa optamos por investigar o itinerário histórico, político e social da década de 60 e as manifestações culturais desenvolvidas naquele momento crucial da história brasileira. Depois de conhecido o momenmto histórico, e apresentar um panorâmico sobre a vida e a obra do autor, utilizmaos como metodologia uma pesquisa bibliografica teórica, embasada em críticos e literatos que definiram a arte engajada e sua função social. Apoiada nessas teorias, a pesquisa busca comprovar o engajamento do romance e de seu personagem e, assim, mostrar a função social do homem e da arte engajada.


Depor as armas: a travessia de Cony e a censura do partidão

Autora: Beatriz Kushnir
Mestre em História pela Universidade Federal Fluminense e doutora em História pela Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP.

Capitulo do livro: “Intelectuais: História e Política” de Daniel Aarão Reis Filho (Org.) Rio de Janeiro: 7 Letras, 2000, v.1, p. 219-246.


Dom Casmurro e o Ventre: Machado de Assis e Carlos Heitor Cony nos subúrbios do homem

Autora: Raquel Illescas Bueno
Professora da Universidade Federal do Paraná

Artigo publicado na Revista Scripta, Belo Horizonte - PUCMG, v. 3, n. 6, p. 175-182, 2000.


Romances de filhos: Quase-memória de seus pais

Autora: Raquel Illescas Bueno
Professora da Universidade Federal do Paraná

Revista de Ciências Humanas. Cutitiba - PR: editora UFPR, v. 7-8, p. 137-151, 1999.

Artigo que analisa as semelhanças entre três romances brasileiros contemporâneos: “Quase Memória”, de Carlos Heitor Cony, “Que pensam vocês Que ele fez”, de Carlos Sussekind e “Uma Noite em Curitiba”, de Cristóvão Tezza.


Carlos Heitor Cony: o filósofo do cotidiano

Autora: Maria Fernanda Cordoville
Dissertação de mestrado.
Universidade Federal do Rio de Janeiro, UFRJ.
Ano de Obtenção: 1997


Pessach, a travessia: narrativa especular.

Autora: Lélia Parreira Duarte
Dissertação de mestrado.
Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG.
Ano de Obtenção: 1980