Biografia - Década de 30

1930/1931 - Com a Revolução de 30, o pai perde o emprego em O Paiz e vai morar em Niterói, onde a vida tinha a fama de ser mais barata. O menino Carlos Heitor é mudo, recusa-se a falar entre outros motivos porque nada tem a dizer. Em Icaraí, praia que marca sua primeira infância, ele vê o aviador Melo Maluco pousar com um biplano vermelho na areia e leva um susto. Desse susto nascem suas primeiras palavras que a história felizmente não registrou.

Cony criança
Cony criança

1932 - 1936 - A família volta para o Rio e vai morar na rua Conselheiro Ferraz, 66, no Lins, numa enorme chácara onde o pai cria galinhas e o menino freqüenta o Maduro - o único parque de águas minerais da cidade. Um defeito de dicção o impede de cursar colégios. Aprende a escrever e a ler com o pai.

1937 - Faz a Primeira Comunhão na Matriz de Nossa Senhora da Guia e começa a freqüentar o Seminário de São José, no Rio Comprido, onde estuda seu primo Aylton. Dessas idas ao seminário surge a vontade de querer ser padre.

Cony no seminário em 1938
Cony no seminário em 1938

2 de março de 1938 - Entra para o Seminário Arquidiocesano de São José, depois de seis meses em que o pai o preparou para os exames.Toma a batina em cerimônia solene a 7 de março, dia de Santo Tomás de Aquino. No fim do ano, ganha um prêmio de cem mil réis dado pelo cardeal Sebastião Leme aos melhores alunos de cada curso do Seminário. O defeito de dicção se agrava e os padres recomendam que ele estude mais grego a fim de celebrar missas (que nunca seriam celebradas) no rito ortodoxo, a fim de evitar a fórmula latina hoc est enim corpus meum, substituída pela fórmula grega to estí soma mou, evitando assim a letra "c" que ele não conseguia pronunciar, trocando-a por "t". Estuda latim, história, português, grego, francês, italiano, apologética, geografia, música e matemática.

O pai, Ernesto Cony Filho, em 1939
O pai, Ernesto Cony Filho, em 1939

1939 - Opera o freio da língua que o impedia de pronunciar a maioria dos ditongos. O operador é o Dr. Pedro Ernesto Batista, ex-prefeito do Rio, amigo e compadre de seu pai. Depois da operação, faz exercícios com bolas de gude na boca a fim de dar mobilidade à língua que continuava presa. O método fora usada por Demóstenes e o menino acredita que um dia será um grande orador.